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Análise · Corridas de carros

Velocidade arcade, derrapagens e uma garagem sem fim

Vale a pena instalar um jogo de corridas com tantos anos de estrada quando a loja está cheia de títulos mais recentes? No caso do Asphalt 8, vale, e por uma razão concreta: poucos arcades de velocidade em Android juntam uma coleção tão vasta de veículos licenciados a um modelo de condução tão imediato. Basta um toque para acelerar, outro para saltar, e a primeira corrida arranca sem qualquer explicação demorada pelo meio.

Carro desportivo em salto sobre pista urbana iluminada
Carro desportivo em salto sobre pista urbana iluminada
Grelha de veículos licenciados no ecrã de garagem
Grelha de veículos licenciados no ecrã de garagem

Para quem funciona melhor

Quem procura física realista, desgaste de pneus e travagens calculadas ao centímetro está no sítio errado. Este é o outro ramo das corridas em telemóvel, o que trata o asfalto como um trampolim: salta-se de rampas, gira-se no ar e a recompensa por essas acrobacias é ainda mais aceleração. A condução perdoa erros grosseiros e o carro raramente fica preso contra um muro durante muito tempo.

O perfil que mais tira partido do jogo é o de quem tem cinco minutos livres e quer uma prova completa nesse intervalo. Também funciona para quem gosta de colecionar veículos, porque a garagem cresce devagar mas de forma constante, e cada classe muda visivelmente a maneira como a corrida se comporta. Já quem prefere campeonatos longos, com regulamentos e gestão de equipa, vai achar tudo demasiado imediato.

Convém ainda separar dois públicos que costumam confundir-se. Há quem venha pelos veículos e passe metade do tempo na garagem a comparar classes, fichas técnicas e melhorias possíveis; e há quem venha apenas pela sensação de velocidade e nunca abra esse ecrã. O jogo trata os dois com igual atenção, mas o segundo grupo esgota o conteúdo bastante mais depressa.

Os primeiros minutos

A primeira corrida começa antes de qualquer tutorial. O carro acelera sozinho, o telemóvel inclina-se para virar — ou, em alternativa, toca-se nos cantos do ecrã — e o único comando que interessa mesmo é o da aceleração extra. Em menos de dois minutos está tudo compreendido.

O que demora um pouco mais a assentar é a lógica das acrobacias. Rampas, saltos duplos e derrapagens prolongadas enchem a barra de aceleração, e é essa barra que separa uma volta razoável de uma volta rápida. Quem se limitar a seguir o traçado limpo fica sempre atrás, mesmo com um veículo melhor. A curva de aprendizagem está toda aqui, e é curta.

Vale a pena mexer nas definições de controlo antes da terceira prova. A inclinação do aparelho é o método predefinido e resulta bem com o utilizador sentado, mas torna-se incómoda em movimento, num autocarro ou num comboio. A alternativa por toque resolve esse problema, embora sacrifique alguma finura nas curvas longas, e a escolha entre uma e outra condiciona o resto da experiência.

Desempenho no telemóvel

O motor tem anos de rodagem e isso joga a favor. Em aparelhos de gama média, com as definições gráficas reduzidas, a taxa de imagens mantém-se estável mesmo nos cenários mais carregados, como as ruas de Tóquio à chuva. Em equipamentos recentes, com tudo no máximo, os reflexos e as partículas ainda impressionam.

A contrapartida é o espaço ocupado e o tempo de instalação, que assusta em ligações lentas. Sessões longas aquecem o telemóvel e nota-se alguma perda de fluidez a partir da meia hora, sobretudo em modelos com arrefecimento fraco.

O tempo de carregamento entre provas é outro ponto a favor em aparelhos recentes, quase instantâneo, mas alonga-se de forma sensível em telemóveis com o armazenamento cheio. Fechar as restantes aplicações antes de uma sessão longa faz diferença visível na estabilidade da taxa de imagens.

Multijogador e companhia

As corridas contra outros condutores acontecem em tempo real e resolvem-se em pouco mais de um minuto, o que evita esperas incómodas entre provas. A ligação precisa de ser estável: uma quebra a meio significa perder a corrida, sem apelo.

O emparelhamento é o ponto fraco. É frequente entrar numa grelha em que dois ou três adversários conduzem máquinas de classe superior, e nesses casos a prova fica decidida logo na primeira curva. Os eventos por tempo limitado atenuam o problema, porque restringem os veículos admitidos, mas duram pouco e obrigam a voltar com regularidade.

Fora das corridas em direto, a componente social é magra. Há classificações e comparações de tempos, e pouco mais do que isso; não existe forma de montar uma grelha fechada com um grupo de conhecidos. Quem quiser competir com amigos terá de combinar horários e confiar no emparelhamento, o que raramente junta toda a gente na mesma prova.

A favor

  • Garagem enorme de carros e motos licenciados de marcas reconhecíveis à primeira vista.
  • O controlo aprende-se numa corrida e dispensa qualquer configuração inicial.
  • Mais de setenta e cinco traçados, com cenários muito diferentes entre si.
  • Corre com fluidez em telemóveis modestos depois de baixar as definições gráficas.
  • Cada prova cabe numa pausa curta e resolve-se em poucos minutos.

Reservas

  • A progressão obriga a repetir provas antigas para melhorar cada veículo da garagem.
  • O emparelhamento online junta com frequência adversários de classe claramente superior.
  • A instalação é pesada e a transferência inicial demora bastante em ligações lentas.

Veredito

Passado tanto tempo, o Asphalt 8 continua a fazer bem aquilo para que foi desenhado: corridas rápidas, exageradas e legíveis, num pacote que corre em quase todo o hardware Android. A coleção de veículos licenciados é o seu maior trunfo e ainda não tem rival direto no género arcade. As reservas são conhecidas: a progressão obriga a repetir provas antigas, o emparelhamento online nem sempre é equilibrado e a instalação pesa. Ainda assim, para quem quer sentar-se cinco minutos e sair de lá com uma corrida vencida, poucos títulos chegam tão depressa ao essencial. Os 4,5 na Google Play refletem essa longevidade.

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